Cristina Arvelos

No tempo desta foto, o António era uma chaminé de Gitanes e Gauloises, repetia “afirmativo” como se não houvesse amanhã, abria o botão das calças para falar ao microfone ou ler os nossos textos, tinha uma paciência indescritível para os meus horários, e ouvi pela primeira vez: “ Não confundir nunca estrada da beira com beira da estrada ou crepúsculo com olho crespo do cu”. No tempo desta foto éramos muito felizes e, se calhar, não sabíamos. Ou sabíamos, mas não sabíamos quanto. Obrigado António por teres tido tempo para nos fazer felizes. Quando esta merda acabar não te livras de ser esmagado de beijos e abraços.